Li duas notícias recentes sobre carreira, dedicação e significado que me inspiraram a escrever este artigo.
Uma delas foi sobre o CEO do Walmart, Doug McMillon, que se aposentou agora no fim de janeiro, ao fazer um discurso de formatura para os formandos na Universidade do Arkansas, deu três conselhos aos jovens graduandos:
- Faça bem o trabalho de hoje, esteja presente, promova mudanças, entregue resultados e faça tudo da maneira correta.
- Busque uma carreira que não pareça trabalho. A vida é curta demais para investir tanto tempo fazendo algo de que você não gosta.
- Assuma a boa intenção dos outros e demonstre compreensão, você terá mais alegria com o que oferece do que com o que recebe.
E a outra foi sobre Ryan Serhant, estrela da Netflix e fundador da Imobiliária Serhant, com foco na venda de casas de luxo para milionários. Serhant acorda todos os dias às 4h30 e passa sua primeira hora respondendo e-mails. Depois de um treino de uma hora e meia, ele segue sua rotina com reuniões e trabalho com clientes muitas vezes até as 23h. E confessa “eu definitivamente tenho um problema, vivo para trabalhar”.
Pode ser que ambos encontrem o mesmo significado no trabalho, um pelo impacto e outro pela intensidade. Pode ser que o trabalho tenha o mesmo grau de importância para os dois, um movido pela conexão e outro pela ocupação. Pode até ser que os dois tenham ambições similares.
Porém, na minha visão, algumas diferenças se destacam.
A primeira é a consequência do investimento do tempo. O resultado que vai além do ganho financeiro. O custo de oportunidade do que deixou de ser feito em detrimento da dedicação somente ao trabalho. O retorno intangível, que passa pelo impacto no outro, na sociedade. O tal do legado, que vai muito além da conta bancária e do patrimônio acumulado.
A segunda diferença está no motivador para o trabalho. O trabalho como fonte de realização, mas com que finalidade? Interna ou externa? Individual ou sistêmica? Trabalhar para acumular riqueza? Ou para aprender? Ou impactar? Ou transformar o entorno?
E a terceira e mais importante: o que sobra se o pilar do trabalho some de cena? O que fica em pé? Quem fica? Quem é, de fato, o ser que se vê no reflexo no espelho?
E as pessoas que os acompanham, em especial a família? Sentem orgulho ou vergonha? Saudades ou alívio? Conforto pela proximidade ou distância? Qual a referência criada e deixada no entorno familiar?
Não posso, e nem quero, responder por eles.
Mas acredito que essa provocação serve como boa base de reflexão (e ação) para muitos de nós.
Não é suficiente estar ocupado: assim são as formigas. A pergunta é sobre o que estamos ocupados? (Henry David Thoreau)