Três fábulas, três conceitos importantes e muito atuais para mim: (1) rigidez x flexibilidade; (2) controle externo x interno e (3) ego x eco.
Leituras, reflexões e conclusões individuais!
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Um jovem monge chegou ao mestre em prantos após uma noite de tempestade violenta.
— Mestre, a tormenta derrubou as árvores mais antigas do jardim. As que pareciam mais fortes. Mas o bambuzal sobreviveu inteiro.
O mestre foi até o jardim, observou em silêncio, e depois perguntou ao discípulo:
— O que você viu?
— Vi fraqueza vencer a força. Não entendo.
O mestre apontou para uma das árvores caídas — raízes expostas, tronco partido.
— Ela resistiu. Lutou contra o vento. E o vento a quebrou.
Depois apontou para os bambus que ainda balançavam levemente, embora a tempestade tivesse passado horas antes.
— O bambu não lutou. Dobrou-se até quase tocar o chão. Deixou o vento passar por ele, através dele. E quando a tempestade foi embora, ele voltou.
O jovem ficou em silêncio.
— Então devo me render a tudo?, perguntou.
O mestre sorriu.
— Não. O bambu não se rendeu — ele não quebrou, não arrancou as próprias raízes, não foi embora com o vento. Ele apenas não confundiu rigidez com força.
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Um monge experiente atravessava um lago em um pequeno barco quando uma tempestade repentina se formou. As ondas cresceram, o barco chacoalhava violentamente. Outros viajantes no barco gritavam, choravam, rezavam desesperadamente.
O monge ficou sentado, quieto, de olhos fechados. Um dos viajantes, furioso, sacudiu seu ombro:
— Como você consegue ficar assim? Não vê que podemos morrer?
O monge abriu os olhos devagar e perguntou:
— Você já morreu antes?
— Claro que não!
— Então de onde vem tanta certeza sobre como é?
O homem ficou sem resposta. O monge continuou, com gentileza:
— Olhe ao redor. A tempestade está no lago, ou está dentro de você?
O homem olhou para as águas agitadas, depois para dentro de si — e percebeu que havia duas tempestades. Uma que ele não controlava. E outra que ele mesmo estava alimentando, pensamento por pensamento, imagem por imagem, projetando afogamentos que ainda não haviam acontecido.
O monge fechou os olhos novamente.
— Cuide da que você pode cuidar.
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Um discípulo chegou ao mestre após anos de prática e disse com orgulho:
— Mestre, acho que finalmente aprendi. Quando a tempestade chega, não me perturbo mais. Fico calmo. Imóvel. Como uma rocha.
O mestre olhou para ele por um longo momento e perguntou:
— E as pessoas ao seu redor? Como elas estão?
O discípulo hesitou.
— Bem… algumas sofrem. Mas eu as observo com equanimidade. Não me deixo arrastar.
O mestre ficou em silêncio. Depois disse:
— Vá até o rio amanhã cedo.
O discípulo foi. Era inverno, e uma tempestade havia passado durante a noite. O rio estava transbordando, turvo, carregando galhos, detritos, tudo que a chuva havia arrancado das margens.
Quando voltou, o mestre perguntou:
— O que você viu?
— O rio estava agitado. Cheio. Poderoso.
— Estava cumprindo sua natureza, disse o mestre. Estava carregando o peso da tempestade para longe, para o mar. Estava servindo.
Pausa.
— Agora me diga: uma rocha no meio do rio também não se perturba. Também fica imóvel. Qual a diferença entre você e a rocha?
O discípulo não soube responder.
O mestre completou:
— O rio também não se perde na tempestade. Mas ele se move. Ele carrega. Ele chega em algum lugar. A paz que você cultivou — para onde ela está indo? O que ela está carregando?
Artigo escrito e publicado por André Caldeira em seu Linkedin