
Inspirada no conceito do livro EUCORP, de André Caldeira, a LIGA EUCORP é um espaço de troca criado no Linkedin de André para trazer reflexão e aprendizado sobre carreira, liderança, propósito e vida profissional.
Em cada edição, um leitor compartilha uma dúvida, desafio ou dilema da sua própria trajetória, e André traz insights e perspectivas que podem ajudar não apenas quem perguntou, mas também outras pessoas que vivenciam situações semelhantes.
A seguir, confira a reflexão desta edição da LIGA EUCORP com André Caldeira e Sara Regina Resende Murssa.
“Sara é Diretora de Recursos Humanos da The Goodyear Tire & Rubber Company e, antes disso, construiu sua carreira executiva em grandes empresas como General Motors e Anglo American.
Sara e eu já trocamos algumas mensagens sobre episódios do meu podcast, que ela acompanha há muito tempo. E mais recentemente, sobre meu livro.
Por isso, a edição de hoje traz duas perguntas sobre a SARACORP.
1. O capítulo 28 (“A Semente”) me trouxe uma reflexão muito profunda. A SARACORP carrega o sonho e o propósito de transformar toda a experiência construída ao longo de mais de 30 anos na área de RH em impacto positivo para ainda mais pessoas , seja como consultora, conselheira — não apenas dentro das empresas pelas quais passei, mas também além do ambiente corporativo tradicional. Mas não consigo dar o primeiro passo por achar tudo muito conflitante com o papel de executiva. Quais passos práticos posso começar a construir desde agora para preparar essa transição de forma sólida, relevante e sustentável para um próximo capítulo profissional no futuro, especialmente no momento da aposentadoria, sem gerar conflito com meu papel atual?
Dou aula no IBGC nos cursos de formação de conselheiros desde 2018 e sempre digo para todas as turmas: foi-se a época na qual ser conselheiro vinha depois do encerramento da carreira executiva. Hoje em dia, fazer a formação para conselhos transforma perfis executivos em líderes melhores: visão ampliada da governança, pensamento sistêmico, olhar estratégico e maior atenção para riscos como alguns dos principais benefícios.
Tenho visto mais e mais profissionais C-level nas minhas turmas, o que comprova essa tese. Mas vou além: foi-se a época (de novo) na qual os conselhos eram compostos somente por homens brancos, de cabelo branco, heterossexuais, com 65+anos. Hoje a complexidade do mundo, do mercado e da sociedade exige diversidade de pensamento, o que só acontece se tivermos pessoas diferentes nos colegiados.
Aqui me refiro à diversidade de referências e opiniões, que nasce das diferenças de gênero, faixa etária, origem social, repertório, orientação sexual, geografia, entre outros aspectos.
Por isso, no caso da SARACORP, além do gênero, vejo espaço crescente para profissionais ainda na carreira executiva e meia idade, mais atualizados e com experiência real (e diária) nos desafios da complexidade. Vejo, também, que sua bagagem e repertório de Pessoas e Cultura é um ativo importante para Comitês e Conselhos que estão penando com os desafios de atração e engajamento de talentos, remuneração, cultura, desenvolvimento e saúde mental, para citar alguns.
E aqui entra meu ponto central: tudo isso pode começar agora. Primeiro, com uma boa formação em governança. Segundo, com a possibilidade de atuação como Conselheira em ONGs de forma pró-bono. Terceiro, buscando oportunidades em Comitês de Pessoas e Conselhos Consultivos de empresas familiares que não tenham conflito de interesse com sua posição executiva atual.
Existe, ainda, o caminho da consultoria, mas sinceramente acho pesado conseguir conciliar um trabalho full-time e projetos de consultoria sem onerar a vida pessoal…
O que me leva a um último ponto: o da mentoria. Você pode atuar como mentora de jovens profissionais na área de Pessoas, pode mentorar membros de novas gerações de empresas familiares ou até mesmo empreendedores sociais, tendo em vista o impacto sistêmico almejado pela SARACORP.
Acho que estes são alguns primeiros passos factíveis!
2. Tenho interesse em sua jornada de autoconhecimento, que se traduz ao longo de vários capítulos. Por muito tempo eu resisti à meditação (mesmo tendo meu marido insistindo por mais de 5 anos) até que chegaram a perimenopausa, o desgaste das viagens e uma certa melancolia. Foi então que comecei a praticar Meditação Transcendental e terapia. Hoje, há dois anos, medito diariamente por 20 minutos, geralmente ao acordar. Ainda tenho dificuldade em traduzir os benefícios de forma objetiva, mas também não consigo mais ficar sem a prática. Como alguém que medita há muito mais tempo, quais benefícios concretos você compartilharia com leitores mais céticos e pragmáticos, como eu era no início?
Uau, que pergunta especial!
Antes de qualquer coisa, tenho que dizer que não acho que necessariamente a meditação seja para todos. Tem gente que encontra tranquilidade e contemplação em uma boa caminhada na natureza, em uma prática de yoga ou tai-chi, ou mesmo nas braçadas em uma piscina.
Isso dito, também me debati muito com a criação do hábito de meditar. Primeiro, a hora do dia que funciona melhor (no meu caso, de manhã cedo, depois do meu esporte, para não ficar ansioso com horários). Depois, o uso de algum tipo de elemento de suporte: mantras, meditação guiada, técnicas de respiração, incenso, velas (no meu caso, tenho um canto na minha casa com meu altar, no qual diariamente medito, às vezes com incenso, e sempre com mantras – prefiro os sem canto, somente instrumentais, que ajudam a tranquilizar a respiração).
Outro ponto que considero relevante é o de não falhar (a não ser em casos extremos). Se estou viajando, posso meditar no avião de olhos fechados e fones (feito é melhor do que não feito). Se tenho pouco tempo naquele dia, melhor 10 minutos do que nada. E sábado e domingo são dias de descanso, mas não de descanso da meditação. É como um hábito diário de higiene, como tomar banho ou escovar os dentes. Mas, neste caso, higiene da mente e do espírito. Lembro aqui da frase do James Clear, autor de Hábitos Atômicos: “Você não ascende ao nível de seus objetivos. Você cai ao nível de seus sistemas”.
Por fim, acho que os benefícios concretos são mais facilmente percebidos pelo contraste de quando eu NÃO meditava: ansiedade, angústia, taquicardia eram constantes na minha vida. Hoje, muito mais esporádicas. Estou bem longe do “Nirvana” ou “Samadhi” (iluminação), até porque aprendi a ter muito menos expectativa sobre a meditação. Passei a tratar como um momento pessoal e íntimo só meu. Meu encontro comigo mesmo. Atenção na minha respiração, olhos fechados, algumas mentalizações e preces no final. Não busco a iluminação, mas sim o caminho para o meu interior, que é parte fundamental do meu processo de autoconhecimento e centramento.
E aprendi a ser mais gentil comigo mesmo: no início brigava com meus pensamentos, querendo controlar e manter a mente limpa. Hoje, presto atenção à respiração e aos pensamento. Se me pego em uma corrente de lembranças, simplesmente encaro aquilo como nuvens, para voltar a me concentrar no céu. No momento que percebo pensamentos, problemas e momentos difíceis como passageiros, exercito a equanimidade. E lembro que, assim como os pensamentos, tudo vai passar. Inclusive todos nós.
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Agradeço muito à Sara pode participar da LIGA EUCORP com essas perguntas. E abaixo transcrevo o que ela postou recentemente sobre o impacto de EUCORP para sua vida. Sara Regina Resende Murssa obrigado pelo feedback e por fazer parte da LIGA EUCORP!
Poucos livros me fizeram parar no meio de um capítulo para refletir sobre minha própria vida. Há mais de dois anos decidi fazer uma curadoria maior das minhas redes sociais e começar a consumir conteúdos que realmente pudessem me nutrir e aumentar minha consciência.
Nesse processo conheci o podcast #ConversascomPropósito, do André Caldeira.
E, a cada episódio, vinha uma nova surpresa. Mais do que conversas sobre carreira e sucesso, encontrei reflexões profundas sobre humanidade, propósito e sobre o ser humano por trás do cargo executivo. (Quando o convidado começa a só falar do lado luz da vida e da carreira, lá vem o André com as perguntas sobre erros aprendizados e evolução – a parte que mais gosto e aprendo !). Comecei então a ler livros recomendados por ele e pelos convidados… até chegar ao EUCORP.O livro traz, ao longo de 57 capítulos, relatos extremamente vulneráveis e humanos da trajetória do André. Mas o que mais me marcou foi a profundidade com simplicidade. A leitura é leve, porém extremamente reflexiva e cheia de provocações importantes — principalmente pelas perguntas ao final de cada capítulo, que inevitavelmente nos fazem olhar para a própria vida, escolhas e história. É daqueles livros que despertam vontade de se reinventar, se permitir mais, buscar autoconhecimento, continuar evoluindo e até revisitar partes da vida que muitas vezes deixamos no automático. O mundo corporativo — e o mundo em geral — precisam de mais pessoas assim. André Caldeira, obrigado pela sensibilidade, profundidade, generosidade e ECO que você coloca no mundo.”
Um artigo originalmente publicado por André Caldeira.