Lourdes Manzanares nasceu no País Basco, na Espanha, em uma época marcada por profundas transformações políticas e sociais. Crescer próxima à fronteira com a França e ter experiências fora da Espanha despertou desde cedo sua curiosidade pelo mundo e por outras culturas.
Formou-se em Tradução e Interpretação pela Universidade de Barcelona e iniciou sua carreira em multinacionais, onde teve como referência uma diretora-geral mulher que marcou profundamente sua visão sobre liderança. Posteriormente, especializou-se em Comércio Internacional e construiu uma trajetória no setor industrial, iniciada em Barcelona, e consolidada após uma mudança desafiadora para a Alemanha, para atuar na Interprint. Desde então, desenvolveu uma carreira internacional na área comercial e de gestão, com forte atuação em mercados globais, incluindo América Latina. Esse movimento a trouxe, há 15 anos, para a Interprint Brasil, onde lidera a expansão e consolidação das operações como Co-Managing Director.

Quando você está em uma posição de liderança é muito difícil compartilhar inquietudes, medos e fracassos. As coisas positivas se compartilham facilmente, mas aquilo que é mais íntimo quase nunca aparece. Para mim, como estrangeira, era ainda mais difícil criar esse vínculo com pessoas de outras empresas e realidades. Por isso achei que o programa poderia ser um facilitador, o que, de fato, foi.
O que mais me impactou no início foi a autenticidade do André. Ver uma pessoa com tanto talento e reconhecimento abrir a própria casa e se mostrar com vulnerabilidade foi muito forte. Entrar na casa dele já te coloca em outro lugar, mais humano, mais emocional.
A imagem do farol que ele usa ficou muito marcada. O líder como esse farol que ilumina o caminho, que alerta onde há risco, onde há luz, onde é preciso cuidado. Ter essa referência, esse guia, nesse momento da minha vida foi algo muito importante. Também foi muito marcante ver a diversidade do grupo. Pessoas de áreas, empresas e trajetórias muito diferentes, mas que no fundo lidam com os mesmos problemas. Muitas vezes eu pensava que certas dificuldades eram culturais ou específicas da minha realidade, e ali percebi que são desafios comuns a muitos líderes. Isso muda muito a forma como você enxerga as coisas.

O programa trouxe também um processo muito forte de autoconhecimento. Fizemos muitas atividades para realmente olhar para nós mesmos e entender como damos importância às coisas. Às vezes colocamos tudo no topo, como se fosse sempre urgente ou decisivo, e ali aprendi a minimizar um pouco essa pressão, a colocar as coisas no seu lugar, a trivializar.
Outro ponto que me marcou muito foi a reflexão sobre o tempo. André perguntou: o que estamos fazendo com o tempo que temos? Não é sobre quanto tempo temos, mas como escolhemos viver esse tempo. Esse momento que estamos vivendo agora já passou. Então como aproveitar melhor o presente, como usar esse tempo para algo que faça sentido.
No final, percebi que essa formação é muito mais humana do que um curso tradicional de liderança. Não é apenas teoria. É escutar as vivências das pessoas, compartilhar fragilidades, aprender com as experiências reais dos outros e perceber que todos, mesmo em posições muito altas, também têm dúvidas, medos e desafios. Isso cria uma conexão muito forte entre as pessoas e traz uma grande humanização da liderança.
Para mim, um bom líder…
… coloca as pessoas em primeiro lugar, escuta, entende as habilidades de cada um e ajuda a potencializá-las. Ao mesmo tempo, cria um ambiente de confiança, oferece espaço para que as pessoas tenham qualidade de vida e se desenvolvam com responsabilidade. Equilibra exigência e empatia, cuidando das pessoas e de si mesmo.
E ser um líder com propósito é…
…não é ter, necessariamente, um grande plano definido para toda a vida. O propósito pode mudar, ser de curto, médio ou longo prazo, ou até estar em construção. O que diferencia um líder com propósito é ter paixão pelo que faz e consciência do caminho que está trilhando.
“Ter esse guia, esse mentor, em este momento da minha vida, e com uma audácia que o André tem e com uma característica pessoal sua tão grande de se conectar com as pessoas foi muito, muito rico.”