Camila é fundadora do Instituto Incanto, ONG que transforma a vida de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade na região metropolitana de Curitiba por meio da arte, cultura, esporte, tecnologia e educação. Filha de uma Auxiliar de Limpeza e de um Caminhoneiro, teve seu primeiro contato com a arte aos 15 anos, quando subiu ao palco e descobriu um profundo senso de pertencimento.
Movida pelo desejo de levar essa experiência a outras crianças, começou ainda adolescente a dar aulas de dança no pátio de sua escola. Durante quase dez anos liderou essa iniciativa de forma voluntária, desenvolvendo na prática habilidades de liderança e mobilização social. Com o tempo, convidou seus próprios alunos a se tornarem professores, ampliando o impacto do projeto e dando origem ao Instituto Incanto.

Hoje, lidera uma organização estruturada, com uma equipe de cerca de 30 pessoas, que atua em diversas frentes. O Incanto mantém um centro cultural próprio, desenvolve atividades em mais de 25 organizações sociais parceiras e impacta diretamente mais de mil crianças e adolescentes por ano, além de suas famílias.
Quando entrei no programa eu estava bastante ansiosa, com muitas questões pessoais e também corporativas para resolver. Questões de feedback, de processos, de como manter a equipe alinhada. Eu já cheguei com essa bagagem um pouco cheia, com a minha “mochilinha” de dúvidas, querendo aprender e entender como lidar melhor com tudo isso.
Uma das coisas mais interessantes desse processo foi perceber que eu estava ali com CEOs de grandes empresas, mas aos poucos fui percebendo que todos eram humanos, independentemente da cadeira que ocupavam. Mesmo pessoas com muito mais experiência tinham inseguranças muito parecidas com as minhas. Isso foi muito produtivo, porque me trouxe um grande alívio.

Uma aprendizagem muito importante foi entender que liderança não é um cargo, mas uma construção que a equipe te dá a partir daquilo que você entrega e da forma como você conduz as pessoas. Não é apenas sobre indicadores ou resultados. Existe todo um processo humano por trás disso, de inspiração, de alinhamento e de construção conjunta.
Também trouxe muito valor todo o conteúdo que o André apresentou. A meditação, por exemplo, foi algo que comecei a tentar incluir na minha rotina, com pequenas pausas no dia para respirar e organizar as ideias.. Isso me ajudou a lidar com conflitos de forma mais serena, ponderando melhor as situações e mantendo o equilíbrio emocional.
Outro momento muito rico foi o Hogan e os feedbacks da equipe, me permitiu enxergar meus pontos de desenvolvimento e perceber como a equipe vê o processo de construção do nosso trabalho.

Eu saio com a sensação de que não preciso ter o controle de tudo nem ter todas as respostas. Eu cheguei com muitas dúvidas, mas percebi que existem caminhos. O André nos mostrou alguns caminhos, mas a liderança vai sendo construída no dia a dia, na vivência e no quanto a gente se conhece. E entender que está tudo bem não ser 100% foi muito importante para mim. Ver o próprio André se mostrar vulnerável, falar de erros e dificuldades, mostrou que a liderança é um processo humano, de aprendizado contínuo.
Para mim, uma boa líder…
… é alguém que sabe se comunicar, que consegue se colocar no lugar do outro e olhar de forma ativa para o seu time. É a pessoa que inspira, que entende as pessoas de forma humana e que sabe que existem indicadores e entregas, mas que não é só isso, e que existe todo um processo para que os resultados aconteçam.
E ser uma líder com propósito é…
… ter muito claro qual é a missão e o legado que você quer deixar, não apenas em causas sociais, mas mesmo dentro do mundo corporativo. É entender qual é a sua contribuição para o mundo e deixar um legado nas pessoas, fazendo que as coisas caminhem não só para o lucro, mas também para o bem.
“A forma como o André dividiu o conteúdo fez muito sentido: primeiro como o mundo te vê, depois como a gente se vê, a partir disso, todas as outras etapas. A maneira como ele foi construindo esse processo de conteúdo tornou a jornada muito clara.”